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Sete afirmações sobre a identidade da Igreja Presbiteriana no Brasil
Em celebração à chegada de Ashbel Green Simonton, o primeiro missionário presbiteriano ao Brasil em
12/8/1859, a Igreja Presbiteriana Unida Bereia, em Osasco, SP, promoveu um Café Teológico com a presença do Rev. Gerson Correia de Lacerda, reunindo membros e convidados para uma profunda reflexão sobre a identidade presbiteriana, sua história e os desafios contemporâneos.
O Rev. Gerson iniciou sua palestra citando Edmund Burke, destacando que “o povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la”. Ele argumentou que o presbiterianismo no Brasil enfrenta uma crise de identidade por ignorar sua rica história de 165 anos.
A palestra foi organizada em torno de sete afirmações essenciais para a compreensão do presbiterianismo brasileiro, que servem como guias para todos que se identificam com a herança reformada e se preocupam com as Igrejas Presbiterianas no Brasil. A palestra está disponível na página da IPU Bereia no Facebook. Louvamos a Deus pelo ministério do Rev. Gerson, que nos proporcionou um momento de profunda edificação.
Ao final de sua palestra, ele nos desafiou a refletir sobre a base bíblica do sistema presbiteriano de governo, fundamentado na doutrina do sacerdócio universal de todos os crentes. Esse princípio está enraizado nas Escrituras, conforme a promessa de Deus cumprida no Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre todos, sem discriminação.
“Somos presbiterianos! Somos um povo em que todos nós somos igualmente sacerdotes e sacerdotisas pela graça de Deus revelada em Cristo Jesus!”, afirmou o Rev. Gerson.
Primeira afirmação: Calvino não veio ao Brasil. Embora pareça óbvio, o Rev. Gerson explicou que o calvinismo que chegou ao Brasil passou por várias transformações antes de ser adotado aqui. O
Sínodo de Dort, na Holanda, formulou os princípios conhecidos como “Tulipa” mais de 50 anos após a morte de Calvino. A doutrina oficial da Igreja Presbiteriana foi estabelecida na Assembleia de Westminster, na Inglaterra, enquanto a estrutura presbiteriana de governo foi firmada na Escócia. Esse presbiterianismo, moldado por influências escocesas, foi o que Simonton trouxe ao Brasil.
Segunda afirmação: Simonton trouxe o presbiterianismo dos EUA ao Brasil O presbiterianismo norte-americano, influenciado pelos escoceses e organizado por Francis Makemie, passou por significativas mudanças nos séculos XVIII e XIX, principalmente devido aos avivamentos que enfatizavam o emocionalismo. Isso causou divisões internas e um forte sentimento anti-católico, que influenciou a missão presbiteriana no Brasil, marcada pela ausência de um diretório de culto e uma ligação estreita com a cultura norte-americana, em detrimento da brasileira.
Terceira afirmação: José Manoel da Conceição tentou abrasileirar o presbiterianismo. O ex-padre José Manoel da Conceição, o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, focou na evangelização e no respeito à cultura local, mas não se dedicou ao estabelecimento de igrejas. Seu ministério foi breve e marcado por falta de apoio dos missionários norte-americanos, além de ser usado para promover o anti-catolicismo, apesar de ele mesmo não ser anti-católico.
Quarta afirmação: Somos mais presbiterianos do que reformados. Na Europa, as igrejas originadas de Calvino são chamadas de Igrejas Reformadas. A expressão “Igreja Presbiteriana” surgiu na Escócia e foi levada para os Estados Unidos, onde se estabeleceu. Enquanto a expressão “Igreja Reformada”
foca na doutrina, “Igreja Presbiteriana” enfatiza a forma de governo da igreja, que é democrática e representativa.
Quinta afirmação: Ser presbiteriano é ser democrático. O governo da Igreja Presbiteriana é exercido de forma democrática-representativa, com presbíteros eleitos pelos membros. Esse modelo influenciou
a história dos Estados Unidos, onde presbiterianos participaram ativamente da luta pela independência. O Rev. John Knox Witherspoon, pastor presbiteriano, foi um dos que assinaram a declaração de independência. O presbiterianismo, tanto dentro quanto fora da igreja, rejeita o autoritarismo e defende a democracia representativa.
Sexta afirmação: Nossa forma de governo é conciliar. As decisões na Igreja Presbiteriana são tomadas coletivamente pelo Conselho da igreja, composto por presbíteros e presbíteras. O poder não é centralizado em uma única pessoa, e pastores e presbíteros são eleitos por períodos limitados, reforçando o caráter democrático e representativo da igreja.
Sétima afirmação: Defendemos uma democracia inclusiva. Ao contrário da democracia ateniense, que excluía mulheres e escravos, a democracia nas igrejas presbiterianas é verdadeiramente inclusiva. Com 165 anos no Brasil, o presbiterianismo evoluiu para adotar um modelo de governo que valoriza a participação ativa de todos os membros, especialmente das mulheres, garantindo-lhes voz e voto nas decisões da igreja.

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